Queda de Cabelo

Queda de Cabelo

27 de agosto de 2026
Queda de Cabelo no Outono: O Que a Ciência Diz | Viva Saudável

Saúde capilar · Sazonalidade

Queda de cabelo no outono: o que a ciência diz — e o que vale mesmo a pena tomar

Começa no ralo do duche. Depois é a escova, a almofada, a marca no ombro da camisola escura. Todos os anos, por volta de setembro, milhares de pessoas em Portugal fazem a mesma pesquisa com a mesma pergunta por trás: isto é normal, ou está a acontecer alguma coisa? Na esmagadora maioria dos casos, é normal — e é temporário. Este artigo explica porquê, como distinguir a queda sazonal de uma queda que merece investigação clínica, e o que faz sentido fazer nas próximas semanas.

50–100

cabelos por dia é o intervalo considerado normal na maioria das fontes clínicas


~3 meses

é o desfasamento entre o cabelo entrar em repouso, no verão, e cair, no início do outono

A queda de cabelo no outono é real?

Não é impressão de quem a nota, nem folclore de fim de verão. É um padrão medível, documentado há décadas em estudos dermatológicos com tricogramas e fototricogramas.

Um estudo de referência acompanhou 823 mulheres saudáveis ao longo de seis anos e demonstrou uma periodicidade anual clara no crescimento e na queda do cabelo: a proporção de cabelos em fase de repouso — o chamado telogénio — atinge o máximo no verão, com um segundo pico menor na primavera, e o mínimo no fim do inverno.

Trabalhos posteriores, com fototricogramas em acompanhamentos longos, situam as percentagens mais altas de telogénio em agosto, setembro e outubro, com os valores mínimos em dezembro, janeiro e fevereiro. Um estudo com quase 2 900 participantes ao longo de dois anos consecutivos encontrou o mesmo padrão: mais queda entre julho e outubro, menos em janeiro.

Por outras palavras: o pico de cabelos que entram em repouso é no verão. O pico de cabelos que caem é no fim do verão e no início do outono. É por isso que setembro é o mês em que toda a gente repara.

Um detalhe relevante dos dados: esta variação sazonal aparece independentemente de a pessoa já ter, ou não, queda de padrão masculino ou feminino. É um ritmo biológico que se sobrepõe a tudo o resto que esteja a acontecer no couro cabeludo.

Os quatro pilares

Porque é que o cabelo cai três meses depois do verão

Quatro mecanismos explicam quase tudo o que se observa em setembro — e, sobretudo, explicam porque é que o fenómeno tende a resolver-se sozinho.

01

O ciclo do folículo

Cada folículo passa por três fases: anagénio (crescimento ativo, entre dois e seis anos), catagénio (transição, duas a três semanas) e telogénio (repouso, alguns meses, no fim do qual o cabelo se solta para dar lugar a um novo). Em qualquer momento, uma parte do cabelo está em repouso — é assim que o sistema funciona.

02

O fotoperíodo

A hipótese mais citada para a sazonalidade é a do escudo solar: o organismo mantém uma proporção maior de cabelo durante o pico do verão, altura de maior radiação sobre o couro cabeludo. É o mesmo mecanismo ligado à duração do dia que regula a muda de pelo nos mamíferos — um eco evolutivo que continua a funcionar apesar do aquecimento central.

03

O desfasamento de três meses

Os cabelos que entram em telogénio no verão não caem de imediato. Ficam em repouso e só são libertados cerca de três meses depois, o que coloca a queda exatamente na transição para o outono. A causa está no verão; o efeito aparece em setembro.

04

O falso alarme do dia de lavar

Um cabelo que se solta do folículo não cai logo — fica preso na restante cabeleira. Quem lava o cabelo de dois em dois ou de três em três dias liberta todos esses cabelos de uma só vez no duche. O tufo parece dramático, mas corresponde a dois ou três dias de queda normal acumulada.

50–100cabelos por dia

É este o intervalo de referência — e a queda sazonal é uma oscilação, não um novo patamar

Alguns dermatologistas trabalham com um intervalo mais largo, de 50 a 150. A queda sazonal acrescenta uma variação temporária a esta base, durante algumas semanas. Para avaliar a evolução com alguma objetividade, convém comparar sempre dias de lavagem equivalentes — nunca um dia de lavar com um dia em que só houve escovagem.

Exemplos práticos

O que fazer nas próximas seis semanas

Nenhuma destas medidas trava uma queda que já está em curso — porque, como se explica mais abaixo, isso não é biologicamente possível. O que fazem é reduzir o ruído e preparar o ciclo de crescimento seguinte.

Análise

Ferritina

Reflete as reservas de ferro. Pode estar baixa sem que o hemograma acuse anemia — e passa despercebida.

Análise

25(OH)D

Setembro é o mês em que as reservas estão no ponto mais alto do ano. Se o valor já estiver baixo agora, no inverno estará pior.

Análise

TSH

A função tiroideia é uma causa frequente e frequentemente não identificada de queda difusa.

Análise

Hemograma

Fecha o rastreio básico e contextualiza o valor da ferritina. Custa pouco e muda a conversa.

Rotina

Menos tensão mecânica

Rabos de cavalo menos apertados, menos escovagem agressiva com o cabelo molhado, menos calor direto.

Rotina

Proteína suficiente

O cabelo é queratina. Em fases de restrição calórica marcada, é a primeira coisa a proteger.

Rotina

Couro cabeludo limpo

Um couro cabeludo sem descamação nem irritação é o terreno onde nascem os cabelos novos.

Rotina

Registo fotográfico

A mesma risca, a mesma luz, uma vez por semana. É a forma mais honesta de avaliar a evolução — a memória não serve.

Sazonal ou clínico? Como distinguir

A queda sazonal é uma forma de efluvio telógeno — o termo clínico para a queda difusa que ocorre quando um número invulgar de folículos entra em repouso ao mesmo tempo. A diferença entre a versão sazonal e a versão que exige investigação está no padrão, na duração e na densidade.

Queda sazonal Queda que merece avaliação
Duração Algumas semanas; tende a estabilizar a partir de outubro Meses seguidos, ou agrava-se progressivamente
Padrão Difusa — uniforme em todo o couro cabeludo Localizada — entradas, coroa, ou zonas sem cabelo
Densidade Regressa ao mesmo ponto de um ano para o outro A risca alarga; o couro cabeludo torna-se visível
Repetição Já aconteceu em setembros anteriores Primeira vez, ou cada vez pior

Justifica-se procurar avaliação médica quando a queda vem acompanhada de cansaço persistente, alterações de peso, intolerância ao frio, unhas quebradiças com sulcos, ciclos menstruais muito abundantes, ou quando ocorreu nos dois a três meses seguintes a uma cirurgia, infeção, parto, dieta muito restritiva ou período de stress intenso.

Suplementação inteligente

Porque é que a maioria dos suplementos capilares não resolve isto

Aqui está a parte inconveniente para quem vende suplementos. Um cabelo que já entrou em telogénio está desligado da papila dérmica e do fornecimento de sangue. Está biologicamente pré-programado para se soltar. Nenhum champô, sérum ou cápsula o volta a agarrar ao folículo.

A consequência prática é esta: se alguém começar hoje um suplemento capilar e a queda parar dentro de seis semanas, não há forma de saber se foi o suplemento ou se foi o calendário — porque é exatamente nessa altura que o efluvio sazonal se resolve por si. É a razão pela qual estes produtos parecem funcionar tão bem em outubro e novembro.

Isto não significa que não haja nada a fazer. Significa que a intervenção útil não é travar a queda em curso: é garantir que o ciclo de crescimento seguinte tem matéria-prima. Os suplementos são exatamente isso — um complemento a uma alimentação variada, nunca um substituto dela nem de avaliação clínica.

Três micronutrientes têm alegações de saúde autorizadas na União Europeia especificamente para a manutenção de cabelo normal: zinco, selénio e biotina. É uma diferença importante face à maior parte do marketing capilar — significa que a relação com o cabelo foi avaliada e aceite, não apenas afirmada.

Complementar

Now Foods

Zinc Glycinate 30 mg

Zinco na forma de bisglicinato quelatado, escolhida pela boa tolerância digestiva. O zinco contribui para a manutenção de cabelo normal, para o normal funcionamento do sistema imunitário e para a proteção das células contra as oxidações indesejáveis.

Como usar Uma cápsula por dia, com uma refeição. Não exceder a toma diária recomendada.
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Complementar

Now Foods

Selenium 100 mcg

Selénio em L-selenometionina, numa dose diária discreta. O selénio contribui para a manutenção de cabelo normal e para o normal funcionamento do sistema imunitário. O solo em Portugal é relativamente pobre neste mineral, o que torna o aporte alimentar mais variável do que se supõe.

Como usar Um comprimido por dia, com alimentos. O selénio tem um intervalo de segurança estreito — não somar várias fontes sem orientação profissional.
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Só com análises

Now Foods

Ferro Complexo

Ferro combinado com vitamina C, folato e vitamina B12. O ferro contribui para a redução do cansaço e da fadiga e para a formação normal de glóbulos vermelhos e de hemoglobina; a vitamina C aumenta a absorção do ferro. Faz sentido apenas quando existe uma carência confirmada em análises.

Como usar Conforme a toma indicada no rótulo e sempre com orientação de um profissional de saúde. O excesso de ferro acumula-se no organismo — não deve ser tomado sem análises prévias.
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Perguntas frequentes

As dúvidas que aparecem sempre em setembro

Quanto tempo dura a queda de cabelo no outono?

Tipicamente algumas semanas. Os dados de tricogramas mostram que as percentagens de telogénio começam a descer a partir de outubro e atingem o mínimo no inverno. Se persistir mais de três meses, deixa de ser razoável atribuí-la à estação.

A queda sazonal leva à falta de cabelo?

Na queda sazonal, não. A densidade regressa ao mesmo ponto de um ano para o outro. Quando a risca alarga progressivamente ano após ano, trata-se de outro tipo de queda e merece avaliação dermatológica.

A biotina resolve a queda de cabelo?

A biotina contribui para a manutenção de cabelo normal, mas a carência real de biotina é rara em quem se alimenta de forma variada. Sem défice, suplementar não acrescenta — e doses elevadas interferem com análises de tiroide e com marcadores cardíacos.

Faz sentido tomar colagénio para o cabelo?

O colagénio não tem alegações de saúde autorizadas na União Europeia para o cabelo. O cabelo é queratina, não colagénio. Assegurar a ingestão total de proteína ao longo do dia tem uma base mais sólida.

A intervenção útil não é travar a queda que já está em curso. É garantir que o ciclo seguinte não encontra o depósito vazio.

Setembro é um mês em que muita gente compra em pânico — e outubro é o mês em que quase toda a gente acha que a compra resultou. O calendário é generoso com produtos capilares. Vale mais a pena aproveitar esta altura do ano para fazer o que raramente se faz: medir. Ferritina, 25(OH)D, TSH e hemograma custam pouco, demoram uma manhã e transformam uma preocupação difusa numa decisão informada. Se não houver nada a corrigir, é uma boa notícia. Se houver, foi encontrado no momento certo — antes do inverno, e a tempo do ciclo de crescimento seguinte.

Cuidar do cabelo com critério

  • Nutrientes com alegação de saúde autorizada para a manutenção de cabelo normal: zinco, selénio e biotina
  • Marcas selecionadas, com formas quelatadas e composições transparentes
  • Aconselhamento por quem conhece o catálogo — e sabe quando a resposta é «faça análises primeiro»
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Este artigo tem carácter informativo e educativo e não substitui a avaliação de um médico ou de outro profissional de saúde qualificado. Justifica-se marcar consulta se a queda durar mais de três meses, se for localizada em vez de difusa, se houver zonas sem cabelo, vermelhidão, descamação ou dor no couro cabeludo, ou se surgirem sintomas gerais associados.

Os suplementos alimentares não devem ser utilizados como substitutos de um regime alimentar variado e equilibrado nem de um estilo de vida saudável. Não exceder a toma diária recomendada. Manter fora do alcance e da vista das crianças. Em caso de gravidez, aleitamento, doença diagnosticada ou toma de medicação, consultar previamente um profissional de saúde.

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